sábado, 2 de agosto de 2008

#24

"A noção de laço social estabelecida de gestos vazios nos permite definir num sentido preciso a figura do sociopata: o que está além da compreensão do sociopata é o fato de que "muitos atos humanos são realizados... com a finalidade da própria interação". Em outras palavras, o uso da linguagem pelo sociopata paradoxalmente equipara-se com o modelo do senso comum da noção de linguagem como um instrumento puramente significativo de comunicação, como sinais que transmitem significações. Ele usa a linguagem, ele não é apanhado por ela, e ele é insensível à sua dimensão performativa. Isso determina a atitude de um sociopata em relação à moralidade: enquanto ele é capaz de discernir as regras morais que regulam a interação social, até para agir moralmente na medida em que ele estabelece que elas se adequam a seus propósitos, a ele falta o profundo sentimento de certo e errado, a noção de que não se pode fazer algumas coisas, por ser indiferente às regras sociais externas. Em suma, um sociopata pratica verdadeiramente a noção de moralidade desenvolvida pelo utilitarismo, de acordo com a qual, moralidade designa um comportamento que adotamos pela maneira através da qual inteligentemente calculamos nossos interesses: para ele, a moralidade é uma teoria que se aprende e se segue, não alguma coisa com a qual alguém se identifica substancialmente."

(Slavoj Zizek)

Um comentário:

Sargento Verde disse...

Influências da linguística...